Madressilva - do emaranhado que se entrelaça nas barreiras rudes, o peculiar desenho das pétalas e um perfume que toca a raiz do coração.
Madressilva - talvez o poema que guarda os aromas das manhãs, a música dolente dos rebanhos, os risos das horas em que os anseios humanos se aquietam.
Procuro a palavra na poesia. Encontro-a nos versos do poeta.
Serão Palavras
Diremos prado bosque
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens
Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração
Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.
Eugénio de Andrade, “Mar de Setembro”
6 comentários:
Madressilvas lindas
para a voz do poetas!...
Cumprimentos meus
A realidade já é, em si mesma (quando bem aprofundada e correctamente entendida) Poesia: a poesia original onde todas as outras radicam e, em última instância, se originam...
Eugénio é "apenas" uma espécie de 'espelho fixo electivo' onde a Beleza 'continua ainda hoje a reunir regularmente' a fim de celebrar-se "na mais pura e vibrante das intimidades possíveis"...
...Como, de algum modo, na bela fotografia que, hoje, encabeça esta simpatiquíssimo lugar de homenagem, cheio de sensibilidade e ternura, à terra que permanentemente flui...
A poesia existe na natureza, os sentidos apenas a "transportam" para as palavras certas.
Associava Eugénio aos jacarandás, às rosas, às palmeiras... não me recordava da madressilva. Muito Bonito!
Que lindas Madressilvas!
Se bem me parece são vizinhas do Moinho do Cosme, do tal dia, tou certo ou não?
Menina eu já descalcei a bota, já postei o 16 de Maio, e tu, para quando está planeado o parto, ou é dividido por pequenos partinhos, hahaha!
Parabéns pelo teu amor pela Natureza e pelas coisas simples da vida.
Cumprimentos, Alex
Estas não são do 16 de Maio, ainda são do 18 de Abril, cujo nascimento está difícil. Quando tenho um tempinho, são as máquinas que não funcionam...
Bem hajas, Manela, por nos recordares em cada texto, em cada poema, em cada imagem, sempre únicos, que não se Vive verdadeiramente "sem música no sangue", que nada se é verdadeiramente se, em cada minuto, não soubermos saborear a Poesia da Natureza, a verdadeira Poesia da Vida!
Bem Hajas!
Eduardo
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