domingo, 31 de janeiro de 2010

Luz



Aldeia da Luz – 31 de Janeiro de 2010


“Trouxe-vos empregos, o Alqueva?”

“Trouxe agora, está tudo emigrado. O museu só lá tem duas pessoas. A … ficou com muita coisa, é tudo deles.
Não há trabalho, metem o gado aí no campo mas não dão trabalho...”

“Mas não fazem aqui passeios de barco?”

Os barcos não vêm aqui, só uma vez é que andou aí um barco com os reformados. Disseram muita coisa mas não há nada.”

“Onde ficava a aldeia?”

“ Vê ali aquela coisa branca? Era o depósito da água. As casas não se vêem, não se vê nada, foi tudo derrubado.
Ali ao fundo é um monte, tem quartos para as pessoas, alugam-nos. Vai-se dar a volta ali por aquela estrada… Este monte aqui é uma ilha, fez uma ilha.”

“Os Montes? Estão aí os espanhóis a comprá-los. Compraram um ali, outro ali…”

4 comentários:

Cândida Ribeiro disse...

Visitei no ano passado este local. De facto...é uma ilha.
Empregos, penso que para além do museu ,só no restaurante...pensei ver barcos....não sei se no Verão existirão...
Fiquei a conhecer mais um pouco da Aldeia da Luz com esta pequenina entrevista.
Não tarda os espanhóis são dono de tudo....uma pena!

gostei deste espaço com cheiro à nossa Mãe Terra.

beijinhos

Sofá Amarelo disse...

A Vida tem destas dádivas e cumplicidades: também fotografei este fim-de-semana flores 'iguais' a estas e pedaços de água (no meus caso, Atlântico). E estive para postar flores e mar, depois decidi-me só pelo mar... deixando as flores para outro dia.... mas vim 'encontrá-las' aqui... num mesclado de amarelo, branco e verde!

marialascas disse...

Há algum tempo neste mesmo blog comentei que não gosto do Alqueva. Eis a minha razão na boca daqueles que ali vivem.

Ezul disse...

Olá!!!

Não me incomoda o facto dos espanhóis aproveitarem as oportunidades (até porque não gosto de fronteiras), o que me incomoda é a inércia dos portugueses!
:)

E não serão as ondas do Atlântico as mais extraordinárias flores azuis?
:)

Sabes, acabei de ler a notícia da partida de Rosa Lobato Faria e a referência a uma das suas obras
"O Prenúncio das Águas", que nem conhecia. Estranhas coincidências! Estive novamente no Museu da Luz e comovi-me com alguns relatos transmitidos no filme.Trouxe o dvd, um importante testemunho da tristeza e também da esperança daquelas pessoas... Sim, é isso! Prefiro falar de esperança, apesar de tudo!
:)