sábado, 13 de fevereiro de 2010

Flores

Ainda que fales da inutilidade das flores, festejarei com elas o recinto da casa, o percurso do barro, cada gesto dos braços em louvor dos astros.
Sim, as pétalas ir-se-ão desfazendo num rasto de cor, a imperfeita ilusão…
Ainda assim, semeá-las-ei no vento para exorcizar os dias esculpidos nessa fria e matemática certeza da inutilidade dos sonhos.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Violetas

Um dia, ainda hei-de colher violetas brancas para as plantar nas ruas do meu monte. Plantá-las-ei, com os dedos a cheirar a terra, por entre os canteiros e o granito, junto ao alpendre, à beira do forno e do tanque. E as suas flores renascerão em cada ano, em cada dia que anuncie a dádiva da Vida. Hei-de colher e plantar violetas como quem seduz e guarda para si a alma selvagem da Terra. Enquanto o olhar seguir os bandos de patos bravos, enquanto permanecer o arrulhar das rolas, o voo das cegonhas…enquanto florirem as pétalas de esteva e vierem em mornas aragens o perfume da palha, a alma declamada na força telúrica do cantochão, as memórias contadas pela voz dos mestres sem idade…

Perfume



Tardes perfumadas com o aroma das Mimosas!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Verdes campos




Verdes São os Campos

Verdes são os campos,
De cor de limão
Assim são os olhos
Do meu coração.


Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes


De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.


Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.


De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração

Luís de Camões

domingo, 31 de janeiro de 2010

Luz



Aldeia da Luz – 31 de Janeiro de 2010


“Trouxe-vos empregos, o Alqueva?”

“Trouxe agora, está tudo emigrado. O museu só lá tem duas pessoas. A … ficou com muita coisa, é tudo deles.
Não há trabalho, metem o gado aí no campo mas não dão trabalho...”

“Mas não fazem aqui passeios de barco?”

Os barcos não vêm aqui, só uma vez é que andou aí um barco com os reformados. Disseram muita coisa mas não há nada.”

“Onde ficava a aldeia?”

“ Vê ali aquela coisa branca? Era o depósito da água. As casas não se vêem, não se vê nada, foi tudo derrubado.
Ali ao fundo é um monte, tem quartos para as pessoas, alugam-nos. Vai-se dar a volta ali por aquela estrada… Este monte aqui é uma ilha, fez uma ilha.”

“Os Montes? Estão aí os espanhóis a comprá-los. Compraram um ali, outro ali…”

sábado, 30 de janeiro de 2010

Reflexo






Paisagem real ou mero pretexto para alcançar, sob a luz escassa e fugidia, a linha do horizonte, a reinvenção de um outro dia!