quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ano Novo



TEMPO...
" Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente...”


Carlos Drumond de Andrade


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O tempo… como se a força dos desejos o domasse! …
Não, já não me satisfaz esse retalho de novos desejos murmurados ao ritmo das badaladas. Prefiro brindar à vida e a tudo o que o tempo foi trazendo e levando, a tudo o que ainda recolho da praia, onda após onda, e que integro na construção dos dias.



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Um mar azul estendido sobre os telhados (disfarçado de céu) e que um barco denunciava, o aroma das avencas, talvez o perfume das arribas húmidas… Um mar de estrelas e de anémonas, de madrepérolas, de rochas e de águas serenas, de pequenos peixes e de algas gelatinosas… Um mar de um Verão imenso! … Um mar deixado, quase perdido, arrecadado no tempo. Depois os ribeiros a serenar lembranças, insignificantes cursos de água, ou gigantes invernosos a rugir sobre rochedos.
Mar - Mar de Viagens – Mediterrâneo - Mar de História e de Povos…

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Geografia do barro e da cal debruada a azul: provei da água fresca que os cântaros transpiravam - bebida na concha das mãos, na textura da cortiça; vi o azeite coalhado nas manhãs frias, um fio derretido sobre pão quente nos serões à lareira - o ouro líquido das árvores centenárias (e outros tesouros de Mouros enterrados bem fundo, tão fundo que os sonhos não encontram…).
E era do cimo das oliveiras mais altas que procurava avistar o mar! …


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Ofereceram-me, num aniversário, a velha caneta de tinta permanente. Em pequenos pedaços de papel branco, a caligrafia de meu avô traduzia o segredo das plantas, as orações do quebranto, a queima do incenso… Escrevia uma memória antiga, tão antiga que não sabia de onde… Narrativas ancestrais: rostos, identidades, vidas contidas no cofre do tempo.


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Enigmáticos mestres, os cães e os gatos ensinaram-me os seus sorrisos. Por eles desconstruo o Universo, descrente de visões antropocêntricas, e persigo a esperança de aprender a linguagem da Terra.


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Acendo uma das velas que me ofereceram – a luz que transporta a presença de todos os rostos, vozes e nomes que se cruzaram neste percurso, o símbolo de todos os que, no presente, vêm carregar de energia este lado solar da vida!
BOM ANO !!!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Gato borralheiro



Nos recantos onde ainda persistem traços de uma vila rural, há gatos que, depois de vaguearem pelas encostas do castelo, regressam a um local mais aconchegado, com um pouco de sol, ou com a expectativa de uma porta a abrir-se. Felizes eram os gatos do monte do meu avô, que tinham a liberdade dos campos mas que se recolhiam, sempre que queriam, no cantinho da grande chaminé.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Outono e Inverno


Já desapareceram as árvores com folhas douradas, os resíduos do verde, os tons avermelhados dos diospireiros e das vinhas...



Guardo do Outono a imagem das cores, a recordação de breves viagens sob a névoa da chuva miudinha, o desenho da água a correr pelas bermas da estrada, pela vidraça do carro, o trepidar do motor e o calor de um casaco de lã a embalar a sonolência!

Percorro as imagens do S. Martinho: a visão do castelo, um sol tímido a abrir a luz da manhã, o rumor da multidão e dos festejos, o calor nas mãos, o doce fogo do vinho, o aroma e o sabor das castanhas, o perfume da madeira.


E eis que o Inverno chega, a espalhar cristais de gelo pelos campos.





Parecem mais frias, as paredes de pedra lá no cimo. Imagino enormes lareiras, flamejantes labaredas a iluminar manhãs cinzentas, sombras projectadas sobre as tapeçarias…


Mas nem o frio esconde as cores, imagens que capto, talvez na ilusão de guardar o segredo das madrugadas.


Natal




O Natal continua a ter uma magia especial, tão especial como os cânticos que aquecem o frio da noite. Possa a magia destes momentos e a luz dos gestos verdadeiros fazer a diferença nos restantes dias do ano, pelo bem de todos os seres e da nossa casa – o nosso planeta!




Feliz Natal!
Bom Ano Novo!
Uma Humanidade Renovada!!!



segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Uma chávena de chá!


E eis que, a meio da planificação de uma série de actividades (onde consegui integrar as plantas medicinais), deparo com umas frases deliciosas:
" - Queres chá?
- Não, quero romance. Quero música. Quero amor e beleza.
- A sério que não queres chá?"
Woody Allen
Siiiiim, por favor, dêem-me uma chávena de chá e um barco!!!!!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Domingo no parque






No Domingo fui ao parque só para ver os medronheiros carregados de frutos. Estava ali a dois passos... talvez a cumprir o dever da memória, talvez a cumprir gestos para sobreviver às memórias... Fui porque sempre associei estes frutos vermelhos aos rituais da infância, à lembrança dos dias em que íamos pelo campo recolher o musgo, as bagas, a alegria das festas. Fui ao parque guardar mais um pouco da cor das pequenas coisas, dos pequenos e reconfortantes detalhes dos campos e das recordações. Porque há dias em que só devia haver memórias felizes, como as dos dias serenos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009